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Risco Geotécnico

O solo é o material mais antigo, mais usado e mais desconhecido da engenharia civil. Geotecnia é o ramo da engenharia que estuda o solo, definindo o seu uso para as diversas aplicações, para tanto utiliza conceitos de três ciências correlatas: geologia de engenharia, mecânica dos solos e mecânica das rochas. O resultado destes conhecimentos permite a construção desde grandes edifícios, barragens, rodovias, ferrovias, portos e até a estabilidade de simples taludes. A Geotecnia é a ciência que permite ao homem projetar e construir as mais diversas obras de engenharia, com segurança.

A engenharia como uma ciência se desenvolveu juntamente com a sociedade no intuito de transformar a natureza em prol do homem e de seu bem-estar. Ainda nessa ótica toda a atividade econômica desenvolvida na sociedade demanda de algum ambiente construído e esse ambiente construído sempre tem como suporte o solo local.

As obras de engenharia sempre necessitam de uma modificação do relevo natural, para atender as necessidades de uso das áreas em que são necessários trabalhos de terraplenagem. Numa região com o relevo acidentado como o da Serra Gaúcha, quase toda a obra necessita de movimentação de terra para a conformação do terreno dentro dos atributos projetados. Por definição toda diferenciação de patamar em solo, seja natural, artificial, de corte (escavado), ou de aterro (construído), recebe a denominação de talude. A declividade dos taludes é definida pelos interesses de ocupação do projeto de terraplenagem e, principalmente, pelos níveis de segurança necessários à estabilidade destes. A fim de regrar essas práticas a associação brasileira de normas técnicas (ABNT) apresenta NBR 11.682: Estabilidade de taludes; e NBR 8.044: Projeto Geotécnico; e o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), a resolução 303.

A análise de estabilidade de taludes contempla uma avaliação a olho nu, porém as características intrínsecas ao material construtivo dos taludes somente podem ser entendidas com análise laboratorial e com o uso de equipamentos específicos. O estabelecimento de taludes pode apresentar um risco para ocupação da área, podendo, muitas vezes, causar danos à vida humana e ocasionar prejuízos materiais, portanto uma avaliação prévia pode e deve ser feita. Existem casos históricos de quedas de talude no país, nos municípios de Petrópolis, Nova Friburgo, Teresópolis, Bom Jardim e São Vicente no RJ, em 2011 com 918 mortos; Niterói em 2010, também no RJ, 48 pessoas morreram; Santos em 1928 uma queda de encosta deixou 80 mortos; Mariana em MG a queda de um talude de barragem em 2015 liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração resultando em um dos maiores desastres ambientais da história.

Caxias do Sul está assentada numa região com grande variação morfológica. Esta variação ocorre devido aos processos geológicos que aqui se estabeleceram. O substrato rochoso é formado por rochas ígneas de natureza vulcânica, correlacionadas aos fenômenos que causaram a separação do continente Americano com o Africano, ocorrido no final da Era Geológica chamada Mesozoica, período Cretácio (há aproximadamente 140 milhões de anos). Dessa forma o solo que encontramos na região é proveniente da decomposição, pelo intemperismo, destas rochas vulcânicas, chamadas de rocha matriz.

Por meio de convênio entre a Prefeitura Municipal de Caxias do Sul e a Universidade Federal do rio Grande do Sul (UFRGS) foi realizado um profundo estudo dos diversos tipos de solo aqui encontrados e estabelecidas suas características técnicas. A partir deste estudo foi realizado um mapeamento de toda a área urbana identificando os diferentes tipos de solo. Foram identificados 05 (cinco) tipos de solos com características geoténicas distintas: Ana Rech, Forqueta, Caxias, Canyon e Galópolis. Em 2013 a acadêmica Monica Marlise Wiggers apresentou a dissertação de mestrado Zoneamento das áreas de risco a movimentos de massa no perímetro urbano de Caxias do Sul. Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Geografia para a obtenção do título de Mestre na Univarsidade Federal do Rio Grande do Sul. Em seu trabalho a autora identificou o número de quedas de talude por bairro no município de Caxias do Sul, no período de 1980 a 2011. Com certeza hoje, o número de quedas de talude na região é muito maior.

O plano diretor dos municípios objetiva um regramento para uma melhor ocupação territorial urbana, contempla o atendimento as legislações vigentes e traz diretrizes técnicas para o urbanismo no contexto ambiental regional. Esse precisa garantir segurança na ocupação territorial sob vários aspectos e um deles é a segurança geotécnica. O risco geotécnico está atrelado à questões mecânicas do solo e da rocha local, do relevo e da ocupação territorial. Para se analisar o risco geotécnico é necessário que se realize a análise de estabilidade dos taludes do empreendimento, sejam eles naturais ou construídos. Na análise de estabilidade dos taludes é necessário que se conheça as propriedades mecânicas do solo, assim como o grau de descontinuidade da formação rochosa local. O resultado desta análise é expresso através de um número, chamado de fator de segurança do talude. Para o cálculo deste fator, entre outros parâmetros, deve-se considerar a condição geométrica da estrutura de talude. Todas essas informações são compiladas em um modelo digital e diversas análises estruturais são realizadas de forma a se calcular o Fator de Segurança do talude.

Os meses de inverno na Serra usualmente são chuvosos, com eventos climáticos extremos. Infelizmente é comum para nós a queda de barreiras em estradas e barrancos no estado inteiro durante esse período, colocando em risco as pessoas que transitam ou residem nesses locais. O que ocorre é que a chuva, de certa forma lubrifica o solo e a rocha, potencializando a ação da gravidade.

A solução desses problemas está no projeto geotécnico que deve conter: análises mecânicas em laboratório dos diferentes tipos de solo existentes no talude, sondagens geotécnicas na área, análise das fraturas na rocha e levantamento topográfico da área. A análise de estabilidade dos taludes faz parte do projeto geotécnico e caso evidenciada a instabilidade destes existem três caminhos a serem tomados: caso seja pequeno, o risco pode ser monitorado através de instrumentação a fim de se prever movimentações de massa e alertar com a devida antecedência aqueles que convivem com o risco; eliminar o risco através de uma reavaliação do projeto; ou realizar a construção de estruturas de contenção para a eliminação do risco. Essas estruturas devem ser devidamente dimensionadas, a análise de estabilidade deve ser realizada com a estrutura construída e a segurança deve ser garantida.

Um dos temas seguidamente tratados da engenharia civil é a boa técnica, esta prescreve o uso das tecnologias mais atuais, dos métodos mais modernos, assim como o atendimento à legislação e as normas vigentes. O mercado tem a obrigação de demandar a boa técnica sempre de maneira a garantir o ótimo uso dos recursos econômicos e tecnológicos garantindo a segurança e a sustentabilidade no desenvolvimento das atividades. Por vezes o não uso da boa técnica pode parecer mais barato, porém, o retrabalho construtivo ou a indenização consequente de uma queda de talude pode resultar em valores muito mais altos.

 A Terraservice, está equipada, por meio de softwares e específicos, laboratório, equipamentos de sondagem e equipe técnica qualificada para realizar projetos geotécnicos e analises de estabilidade de taludes. Trabalhando com operações turn key, realiza todos os estudos, análises e obras necessárias, entregando, ao final, um site seguro para a realização de obras de construção.

Este artigo foi publicado na revista NOI na edição de Julho de 2017 e esta diponivel em:

http://www.revistanoi.com.br/revistas/40/a/index.html#p=48